sábado, 9 de fevereiro de 2008

Elementos reacionários

É o Gus:

Como você sabem, quase tudo aqui no Canadá vem escrito em francês e inglês (bom, pelo menos documentos oficiais e embalagens de produtos). Parece que em Quebec há uma lei que determina que o francês deve vir escrito primeiro e em letras garrafais (ou, ao menos, bem maior do que o inglês).

A conseqüência do bilingüismo oficial canadense é que tudo fica com o dobro do tamanho; e os tradutores de francês e inglês não podem reclamar do trabalho. Além disso, dá para fazer umas comparações linguísticas interessantes:

O suco de laranja, por exemplo, vem com tudo nas duas línguas. Em inglês, está escrito: "No preservatives". Tudo bem, entendemos que o produto não contém conservantes. Em francês, está escrito: "Sans agent de conservation". Tudo bem, mas é engraçado como tudo em francês, até mesmo o rótulo de um suco de laranja, acaba carregado com conotações políticas: fico só imaginando os "agentes" químicos conservadores, reacionários e capitalistas da globalização, combatendo os legítimos representantes dos movimentos bacteriológicos revolucionários que tentam subverter a ordem imposta e fazer o suco estragar.

Tá, tudo bem, nem tanto. Melhor voltar para meus textos...

7 comentários:

Anônimo disse...

Quando fui a Montreal em 2006, um cara local me explicou que as placas de transito (que tambem sofrem com essa situacao) tinham que, por lei, conter o texto em frances primeiro e ingles segundo. Tambem por lei, o texto em ingles tinha que ser 3/4 to tamanho da fonte francesa ou menor - nao sei se o cara me deu a proporcao certa, mas que o ingles fica em segundo plano, fica.
Tom

Anônimo disse...

Que a francesada está acuada e perdendo terreno no campo internacional não há dúvidas, ate metade do século XX era a lingua oficial em transações internacionais e na diplomacia, agora o inglés com a delicadeza dos piratas da rainha ou a "finesse" do Bush quer tudo em "texano", é dose pra leão. A bõa educação ensina que se se vai a áreas francesas se fala e escreve em francés, na Itália nem tem os letreiros em inglés e dai? Vai reclamar com quem? Se vira em italiano e pronto. Alemanha idem, Checoeslováquia idem, Holanda idem, Belgica idem, etc, etc, idem. Quer a melhor de todas vai para o pais basco, lá "tudo" e escrito em basco e lá pequeninino embaixo de tudo pode se até ler a versão no espanhol, e isso de favor porque fica na espanha se não "le dancé" que ler basco é só para meia duzia. Não sei o que tem de diferente pelo descrito no blog, com as provincias francesas no Canadá, mais ainda sendo lingua oficial do pais, em região com legislação local dentro de um inteligente federalismo multicultural. Dar conotação reacionária à preservação de culturas minoritárias, me parece querer ver freios a expasão colonialista cultural americana, palpável e concreta, em tudo.
Abralho sem rima. Tio Jojoba

Carol disse...

Vixe, foi só uma piadinha...

Mas que os quebequoises são esquisitos, isso são...

Eu até agora não entendo o suposto bilingüismo canadense. Só é bilíngüe nas embalagens e no aeroporto, porque na realidade é assim: 90% do país fala inglês, não entende francês, mas todas as empresas públicas e privadas têm que publicar tudo em duas línguas, a um custo fenomenal, sendo que ninguém vai ler as traduções em francês porque praticamente ninguém fala francês fora do Quebec.

Os quebequoises falam francês e arranham um inglês mais ou menos, mas no Quebec o francês tem prioridade, aparece primeiro, é maior, etc. (como o Tom comentou acima) e eles fazem cara feia quando você quer falar inglês. Eu não consigo entender como um país agüenta passar tanto tempo "rachado" desse jeito, sem nenhum tipo de integração. O bilingüismo não é disseminado; os quebequoises ficam cada vez mais segregados e o país todo rala para conseguir agradá-los.

Historicamente, a província de Quebec se uniu à federação colonial e jurou fidelidade aos britânicos por medo dos americanos, só que passou a vida esperneando a cada movimento dos ingleses e seus descendentes.

A França nunca teve nada a ver com a história; o Quebec não tem ligações com a França.

É muito esquisito.

Ah, e o texano do Bush não entra aqui. Os canadenses tem terror de serem parecidos com os americanos...

Anônimo disse...

Ah, e o texano do Bush não entra aqui. Os canadenses tem terror de serem parecidos com os americanos...
Ahhhh menos mal, pelo menos sabem da diferença coisa que notei nos 15 dias lá, até suspeito que os Quebecoises devem ter ajudado a "marcar" essa diferença para muitos por ahí.
Beijão do Papu.

Gus disse...

Ei, Carol, o bilingüismo é muito importante sim, por dois motivos: (a) tem curso de francês de graça; (b) dá emprego para uma legião de tradutores... hehehe

Agora a gente tem de fazer o Lobby do Nafta para promover o trilingüismo: inglês, francês e espanhol.

Anônimo disse...

Porqué não Portugués, Italiano e Alemão?

Carol disse...

O que é que italiano e alemão têm a ver com o Nafta?
Além disso, eu não traduzo italiano e alemão...
;^)