quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Invigilator Tabajara

É o Gus:

Ontem foi a prova final da matéria que estou "TAing" (ou, melhor, trabalhando como assistente do professor) no verão. Não sei se é por causa do verão, mas trabalhar nessa matéria foi bem tranqüilo. Mas voltando à prova final: o professor nos chamou para ajudar durante a prova; isso é normal, porque tem sempre aquele aluno (ou ÃAHH????luno):

ÃAH???: Eu não entendi o que eu tenho de escrever aqui nesta seção.
Eu: Bom, qual é a pergunta?
ÃAH???: Se eu acho que teorias críticas explicam o fim da guerra fria melhor do que teorias tradicionais como o realismo e o liberalismo.
Eu: Então?
ÃAH???: Bom, ele quer saber das teorias críticas, certo?
Eu: Certo.
ÃAH???: Mas teorias críticas são... tipo... o realismo, certo?
Eu: Lê a pergunta novamente.
ÃAH???: Liberalismo, então?
Eu: Olha, eu não posso responder, mas lê a pergunta novamente. Teorias críticas...
ÃAH???: Ah, então não são nem o realismo nem o liberalismo!
Eu: É, acho que não, né?

Ou então:

ÃAH???: Eu quero fazer uma pergunta meio boba.
Eu [pensando: "Então não faz..."; me controlando, respondendo com a maior cara lavada, segurando o riso]: Não, que é isso, se você está perguntando, deve ser importante...
ÃAH???: Aqui nessa seção eu posso responder ao contrário?
Eu: ????????? Como assim? [pensando: "cara, era melhor não ter perguntado..."]
ÃAH???: Tipo assim, ao invés de defender o argumento, criticar?
Eu: Tá, mas qual é a pergunta?
ÃAH???: Se eu fosse assessor do primeiro ministro do Canadá, e tivesse que escrever um memorando defendendo que uma intervenção humanitária em Ruanda poderia ter impedido o massacre dos Tutsis em 94, que argumentos eu usaria?
Eu: Então, é para defender a necessidade de intervenção humanitária, e não criticar, certo? Quais são os argumentos a favor, esse tipo de coisa.
ÃAH???: Certo. Mas...
Eu: [prevendo o pior e usando a "autoridade" para resolver a questão] Olha, responda o que a pergunta pediu. Defenda a intervenção humanitária, mesmo que você discorde do princípio. Nessa pergunta, nós não estamos interessados em saber sua opinião; meio mundo discorda da intervenção humanitária. Nós queremos saber se você entendeu os argumentos a favor, porque meio mundo defende intervenções. Se eu corrigir a sua prova, vai ser isso que eu vou querer ler, não o contrário, certo? Deixe sua opinião para a parte final, da redação, onde a pergunta é mais aberta e...
ÃAH???: Tá... mas eu não concordo. O que eu faço?
Eu: [saindo]: Olha, faz o que você quiser.

Teve até o aluno que queria ir ao banheiro, não encontrou, e foi se aliviar na árvore do jardim... essa me contaram, e eu não acreditei, mas parece que essas coisas acontecem no verão canadense, e os outros dois TAs juraram que foi verdade...

Bom, mas voltando ao tema do post. Cheguei na sala um pouco atrasado, porque ela fica em um prédio antigo da universidade e eu demorei para navegar o labirinto de salas e corredores. Quando entro na sala, estão o professor da matéria, os outros dois TAs e um cara que eu nunca vi mais gordo, com cara de mau, sentado na mesa dos professores em cima do tablado, lendo um livro.

Eu: Quem é esse sujeito aí?
Professor: É o invigilator.
E: Invigioquê?
P: Invigilator. Toda prova final tem que ter um invigilator contratado pela reitoria para fiscalizar.
E: Fiscalizar o quê, se nós estamos aqui?
P: [dando de ombros]....

A verdade é que ser "Invigilator Tabajara" é um empregão. O sujeito recebeu para não fazer nada, para ler o livro dele, e nós fizemos todo o trabalho. As únicas coisas que ele fez foram sair da sala uma vez para atender o celular, e a cada meia hora assustar os alunos gritando: "Aêh, falta 1 hora!", "Aêh, falta meia-hora", etc.

E depois dizem que vida acadêmica é moleza...

3 comentários:

Anônimo disse...

Vejam só: e eu que pensava que funções inúteis, desperdício de dinheiro público e outras "cositas" fosse um privilégio do quinto mundo? Não tira o desencanto com as nossas pelegadas e lulices, mas, pelo menos, nos deixa na companhia de gente supostamente mais qualificada. Celso.

Marcos Cesar disse...

Fala Gustavo... cara, aí também temos então o famoso investigador provístico TABAJARA, versão canadense.... é cara, a coisa é estranha...
abraço pro cê e carol

Gus disse...

hahaha,

não subestimem a capacidade do "funça "brasileiro, hehehe