quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Bajofondo em Toronto

No domingo passado soubemos que o Bajofondo e o Gustavo Santaolalla se apresentariam naquele mesmo dia em uma boate/casa de shows chamada The Mod Club, na área latina de Toronto (College West).

O Bajofondo é uma das bandas do chamado "electrotango", ao lado de Gotan Project e Tanghetto, entre outras. São misturas que têm uma base de tango, milonga e outros ritmos argentinos e uruguaios somados a rock, eletrônica e até rap. Pode parecer estranho, mas é uma das combinações mais originais e felizes que já conhecemos.

Já o Santaolalla é um violonista/guitarrista argentino que fez carreira nos EUA e recentemente se destacou com trilhas de filmes, entre eles Amores brutos, 21 Gramas, Babel, Brokeback Mountain e Diários de motocicleta. Ele também foi um dos mentores do Bajofondo, produzindo o primeiro disco deles, e fez um trabalho de pesquisa sobre tango que resultou em Café de los maestros, com músicas inéditas interpretadas por artistas da velha guarda (algo na linha do projeto Buena Vista Social Club).

Umas 2h30 antes do show, fomos comprar os ingressos na Soundscapes, uma loja de discos, revistas e ingressos para shows que é uma perdição. Compramos os dois últimos (na porta do Mod Club ainda havia ingressos à venda, mas acho que acabaram se esgotando).

Dali andamos até o Mod Club. Bem ao lado dele há um café/sorveteria italiano chamado Sicilian. Grande, com muitas mesas do lado de fora e lotado. Bom sinal. 80% do cardápio consiste de sorvetes: sundaes, milk shakes, combinados com café, crepes e waffers. O resto são sanduíches e mais cafés. E os preços são muito em conta, considerando que cada sobremesa vem com 3 ou 4 bolas de sorvete e mais um monte de coisa. Nos deliciamos lá e ficamos esperando até um pouquinho antes do show começar. Quando íamos sair, vimos que a banda toda estava no mesmo café, em uma mesa, batendo papo com um monte de gente. O Rafa tem razão: Toronto é uma grande cidade do interior.

Só de curiosidade: o Mod Club fica numa pracinha chamada Luiz de Camões (olha aí o busto dele bem atrás de mim). Na parede da boate há uns falsos azulejos portugueses com uns desenhos e o trecho de "as armas e os brasões assinalados...".

Quando estávamos quase entrando, a turma da banda chegou. Rindo, parando para brincar com as pessoas, tirar fotos e tal. Achamos muito legal tudo começar assim, meio como se fosse tudo entre amigos. Foi nesse clima até o final.

A pista da boate não é muito grande e ficamos bem na frente. A turma aqui não espreme como no Brasil. Quase todo mundo falava espanhol, em geral com sotaque argentino.

A banda entrou e tocou a primeira música antes das luzes iluminarem o recinto todo. Deu para ver que se surpreenderam com tanta gente (mesmo que em números não fosse tanta gente assim, comparado com o tamanho dos públicos na América do Sul). Foi a primeira e única vez que tocaram no Canadá. Não sei se não imaginavam que aqui tinha tanto latino ou se não esperavam que tanta gente curtisse esse tipo de som.

O show foi fantástico. Os músicos são brilhantes e o set list incluiu um pouco de tudo: teve batida dançante, momentos calmos, muita risada e brincadeira entre os músicos e a turma no público pulando e gritando.

Os instrumentos incluem violões e guitarras, contrabaixo, violino (às vezes com uma saída que produz um som como de gramofone (na foto acima, à esquerda), acordeão, bateria, teclado, uma mesa de sampler, um aparelhinho daqueles de fazer barulhos bizarros e... três Macintosh. Duas pessoas estavam quase inteiramente dedicadas aos computadores, enquanto um dos líderes da banda, o Luciano Supervielle (esse da direita na voto vermelha), comandava outro computador, os samples e o teclado. Acho impressionante o peso da tecnologia hoje em dia.

Na segunda metade do show, o Santaolalla falou uns 5 minutos e depois tocaram o tema de Diários de motocicleta e uma outra música calminha, toda com cordas.

O show durou quase 2 horas. Os músicos logo se soltaram e fizeram várias brincadeiras. Eu só tinha visto o Santaolalla tocando coisas sérias, recebendo Oscar, essas coisas, e não sabia que ele era tão doidaço. Tem idade para ser pai do resto da turma, mas era o mais agitado, pulando e dançando, dando berros e fazendo caras e bocas. Foi engraçado.

Nós ficamos na boca do palco e eu me acabei de tirar fotos. Fizemos também alguns filminhos, mas só consegui colocar um aqui no blog. Tem outros vídeos bons da turnê atual do Bajofondo, lançando o disco novo Mardulce, no YouTube.


video


Eles voltaram duas vezes para o bis. A primeira estava programada, mas a segunda acho que foi por insistência, mesmo. Estavam mortos.

O final foi particularmente engraçado. Um groupie meio doidaço veio correndo do palco, pulou na platéia e começou a catar mulheres (só mulheres, é claro) para levá-las para o palco. Pegou umas dez, que entraram no palco dançando e abraçando os músicos durante a última música.

Pelo menos o mesmo número de mulheres achou a idéia boa e decidiu subir no palco por conta própria. Mal dava para ver os músicos lá no meio. O tal groupie teve que correr e pedir para as pessoas pararem de subir (mas não funcionou muito). Um ou dois músicos chegaram a pular para baixo e ficaram dançando entre a gente -- pelo visto, estava menos apertado embaixo do que em cima.

E terminaram assim: com montes de abraços e fotos de umas 30 mulheres assanhadinhas. Imagina se os latin lovers não gostaram!

Uma curiosidade engraçada: antes do show vimos umas poucas pessoas no público já com bastante idade. Estranhamos, porque o som é bastante inovador e agitado. Na saída, conversando com um colega argentino do Gustavo que encontramos lá, ele disse que achou que algumas pessoas lá estavam realmente esperando um show de tango à moda antiga (ou aquelas músicas calminhas estilo world music do Santaolalla). Coitados...

Eu estava tão perto dos músicos que não consegui tirar uma foto com todos juntos. Acabei tirando umas 3 ou 4 e fiz uma colagem meio mequetrefe para ficar assim:

3 comentários:

daniduc the dude disse...

Hehe. E amsterdam é uma pequena cidade do interior. Ha, sério, rachei o bico porque a gente sempre fala isso daqui (às vezes resmungando, por exemplo, Dark Knight estreou aqui depois de São Paulo).

Gus disse...

Hahahaha. Nossa, vocês estão realmente no terceiro mundo, hehe. Aqui, uma das maiores dificuldades que temos é a Internet. A conexão funciona muito bem, melhor do que no Brasil. Mas os canadenses ainda estão no começo dos anos 90 em matéria de utilização da internet. Por exemplo: compras online, aqui, ainda estão na idade da pedra. Algumas lojas tem a pachorra de até vender, mas não entregam: você precisa buscar na própria loja (tudo bem, eu também não entendi o propósito até hoje). Talvez esse problema esteja relacionado a alguma questão de logística; outra hipótese é que o canadense ainda está acostumado e prefere ir até a loja, especialmente se for na esquina e de algum conhecido, para fuçar, barganhar o melhor preço e bater um papo. Sei lá... mas o fato é que não dá para comprar muita coisa não. Até mesmo o site da Amazon Canada é horrível; não tem nada. Para nós, acostumados no Rio a fazer compras até de supermecado na internet, foi um pouco frustrante.

Anônimo disse...

Genial a ideia de ir ao show, e o relato, por sinal Bajofondo na Argentina quer dizer um lugar ou bairro de péssima reputação, coisa do tipo mocó, ralé ou zona mesmo.
Beijos. Tio jojoba