
Não é mole ser uma gatinha em Toronto. A vida aqui é muito complexa.
Eu acordo muito cedo para ver o sol raiar na cozinha. Percebo que o outono está chegando.
O vento frio dá muita preguiça, então eu procuro o l

ugar mais silencioso, escurinho e
confortável da casa para dormir umas 12 horas seguidas durante o dia.
O fim de tarde pede momentos de contemplação:

é a terra que gira, o sol que já vai embora, e o que sou eu, um ser tão insignificante comparado com a vastidão da sala vazia?

Uma humana que não compreende a profundidade das minhas indagações vem tirar fotos de mim. Eu apenas a olho e suspiro: o que é a bidimensionalidade de uma imagem ao lado da complexidade das dimensões multifacetadas do ser?
Defrontada com a futilidade da vida, nada me resta senão me render aos prazeres mais mudanos: comer, receber cafunés intensos e ir para a cama com o gatão da casa.
É, até que viver não é tão ruim.
Comentários
São sim, são sim!
Obrigada pela mensagem.
:o)
Espero que ele apareça de novo.