quarta-feira, 16 de abril de 2008

Não entendo as propagandas canadenses

A estética aqui -- das pessoas, a decoração das casas, e a identidade visual de quase tudo e o visual de cartazes, propagandas, etc. -- é muito esquisita. Parece antiquado, claramente não quer ser americano mas também não é clássico, britânico. Há sempre um senso de humor altamente suspeito, quase nonsense, mesmo quando a situação não pede um humor assim. São muitas as vezes em que parece que estamos vendo um quadro do Monty Python, só que meio sem querer. E há propagandas recorrentes que vemos na rua, em pontos de ônibus e no metrô que, após meses, ainda não conseguimos descobrir de que são, e se é para serem sérias ou não. Por exemplo, tem uma que sempre aparece, com mulheres dando um sorrisinho meio amarelo, uma frase enigmática e embaixo a informação: "Consulte seu médico." A julgar pelo sorrisinho amarelo, o Gustavo cismou que deve ser remédio anti-gases, porque a cara das mulheres é de quem peidou e está tentando disfarçar. Mas poderia ser qualquer coisa, desde absorvente até creme anti-tártaro. Dá até medo de tentar descobrir.

Esta outra propaganda me atormenta na academia. Está posta no vestiário feminino e nunca a vi em outro lugar. Quanto mais olho para ela, mais em dúvida fico. Então está aqui, para meus caros leitores me ajudarem a desvendar que diabos ela significa.

O objetivo é estimular as pessoas a se mudarem para Edmonton, em Alberta. É no meio do nada, rodeada de gelo, mas a cidade está crescendo e faltam trabalhadores. O governo de lá tem feito campanhas nas grandes cidades para convencer as pessoas a irem para lá.

A propaganda diz: "Tenha sucesso antes. Muito antes. Faça sua carreira progredir em Edmonton. Uma cidade em que menos hierarquia significa mais promoções."

Tá, o texto não é brilhante mas dá o recado.

Mas e a foto? (clique para ampliar)

Tem um sujeito na cabeceira da mesa de reuniões, com cara de completo idiota e um sorriso bobo. Você contrataria um sujeito com essa cara para trabalhar para você?

Pois bem, o que eu entendo é que ele virou o presidente da empresa, porque todas as outras pessoas (a diretoria?) são velhas, cabeça-de-vento, preguiçosas ou retardadas. Sério. O que significa aquele careca de camisa azul com a língua de fora e o dedo na boca?? Eu juro que quero entender.

Será que a foto representa o que acontece nas empresas de Edmonton? Entre tantos idiotas, se você tiver um terno você vira presidente?

Ou será que isso é a sua empresa atual, na cidade grande, dominada por diretores velhos e debilóides que impedem que você chegue ao topo?

Essa propaganda é a personificação da barreira cultural: meu cérebro não consegue processar.

4 comentários:

Anônimo disse...

é só para ver se consigo. celso

Carol disse...

Conseguiu!

Barts disse...

Bom, o significado da coisa toda me parece bem claro. Só nao enxerga quem nao quer.

A foto representa o ego em construção de uma parcela de juventude que ainda não se reconectou com o seu Eu interior.

A alegria exacerbada no rapaz central representa a vida sexual das aranhas macho, que neste caso só tem uma experiencia antes de morrer, e por isso tá tao feliz, afinal hoje é dia, em contraponto com a visão elitista da sociedade castradora canadense.

A tiazinha piriguete deitada demonstra claramente a recusa em aceitar o envelhecimento como ordem natural das coisas, a julgar pelo lápis de olho e corte de cabelo, fazendo um paralelo com o passar do tempo enquanto a gente nao faz nada.

O moço com lingua de fora representa - pela janela de JOhary - a parte de nosso cosmos interior totalmende desconhecido.

O ao lado do sorridente está lá para lembra que, nao importa o grau de QI que alguem tenha, para vencer na vida precisamos compreender que, em questão de copos, a boca é sempre pra cima, ou voce morrerá usando gravata borboleta.

O de terno amarelo deixa claro que bom gosto para cores de roupas não significa necessariamente sucesso profissional.

A outra mulher - essa sim - é um grande mistério até pra mim.

Enfim, Tá tudo aí. Claro. Como lama.

Carol disse...

Pô, pior é que é isso mesmo! Tava na cara!