quarta-feira, 16 de abril de 2008

Alegria primaveril

Eu não estava pondo muita fé na primavera. Não tem como superar o romantismo do outono nem a beleza pura e silenciosa do inverno. Mas há um sentimento de euforia no ar que é insuperável. Acho que vou acabar fotografando e escrevendo muito mais sobre a primavera do que eu imaginava.

É quase um filme da Disney, daqueles antigos. A neve derrete e os casais de passarinhos correm para apanhar os gravetinhos -- até poucas horas atrás cobertos de gelo -- para fazer os ninhos. Pássaros de várias cores, gaivotas, corvos ficam em revoada, cantando, comendo brotinhos novos no chão e nas árvores.

Os esquilos saem das tocas em frenesi e comem tudo o que passar pela frente que lembrar amendoim.

Dez, quinze graus a mais de temperatura mudam tudo. Tudo brota. A grama já está toda verde. Os bulbos de tulipas e outras flores já eclodiram e as flores estão abrindo. Todas as árvores têm brotinhos de folhas, a maioria ainda fechada, pronta para explodir em verde (ainda há muito pouco verde, mas a mudança é rápida).

E está todo mundo na rua. Apareceram as bicicletas (sim, dá um baita gelo nas mãos e na cara, mas que delícia!), as motos, os patins e skates, as bolas e os tacos, por toda parte. A gente fica romântico. Dá vontade de se jogar na grama, de correr, de rir. Que é o que todo mundo está fazendo.

Hoje fui prestar um serviço num escritório no coração da cidade, de frente para o Old City Hall. Saí de lá na hora do almoço e caminhei alguns quarteirões pela University Avenue. Parei nos jardins do Osgoode Hall, que estavam repletos de esquilos, pássaros, abelhas rechonchudas se esbaldando nas tulipas que saíam da terra.

Quando estava quase chegando no metrô, eu vi, sentado na mureta de um dos canteirinhos da rua (a University é cheia de canteiros), um casal de pelo menos setenta e muitos anos. Ele carequinha, de cabelo bem branco, segurando embaixo do braço um guia enorme do Canadá. Ela com cara de mamãe-noel, de cachos branquinhos. Encostados um no outro, cada um segurava uma casquinha de sorvete de creme, o qual lambiam feito crianças, com um grande sorriso na boca, enquanto olhavam para a rua e a calçada.

Me peguei quase parada na frente deles, admirando a cena. Era a coisa mais fofa. Tive vontade de me aproximar e dizer que aquilo era lindo, que eles pareciam estar de lua-de-mel. E provavelmente eles não achariam ruim ouvir isso, mas ainda não consegui superar a timidez de falar com estranhos e adotar o jeito canadense de puxar papo com qualquer um no meio da rua. Mas a imagem ficou gravada. Isso é o que eu quero: daqui a 40 anos estar com meu maridinho vovô, tomando sorvete na primavera e rindo à toa porque tudo é bonito. Só isso já está bom.

(Não falei que a primavera deixa a gente romântica?)

7 comentários:

carladuc disse...

Oh que lindo! Até me emocionei. :)
A primavera é realmente encantadora.

daniduc the dude disse...

Tudo bem que você não disse pro casal... mas obrigado pro dizer pra nós. Alegrou meu dia - e eu precisava disso.

Carol disse...

:^D
Fico feliz!
Obrigada pelos comentários. Alegraram meu dia também.

Jules disse...

:))))

Jules disse...

(o sorrisão é porque eu também fico boba com esses casaizinhos fofos e fico querendo ser assim no futuro, eu e hubs.)

(e oi, né. :) long time no see. :D voltei à vida.)

Carol disse...

Jules!

Que bom te ver de novo!

vicogonzales disse...

Belo texto, Carol.

Víctor