terça-feira, 6 de maio de 2014

Um marco da arquitetura

Nós não temos muito o que fazer da vida, então nas últimas semanas um dos nossos temas de conversas diárias é esse barracãozinho que a vizinha do outro lado da rua está construindo.


A casa tem um corredorzinho lateral como a nossa, que dá para a porta da lateral e o jardim dos fundos. Há várias semanas, uma mulher começou a chegar com materiais e construir esse marco da arquitetura.

Logo de cara, nos chamou a atenção que a casinha fosse feita realmente de tábuas e pregos, tudo em forma "bruta", tudo à mão. Quase tudo aqui é pré-moldado, inclusive casas de gente grande, ainda mais esses barracões de jardim que você compra inteirinho pronto.

A construtora é uma mulher e trabalha sozinha. Deve ter levado duas ou três semanas só para fazer a casinha, madeira por madeira, medindo, serando, pintando. Depois as telhas e tudo mais.

Depois, começou a fazer esse muro de madeira, substituindo uma grade baixa que demarcava o jardim. Também, tudo na munheca, medindo e cortando cada pedaço de madeira. Passaram, sei lá, três dias para ela erguer esse pedacinho. E o jardim é grande!


Começamos a pensar nos termos práticos de contratar alguém durante tanto tempo. Eu deduzi que o orçamento só podia ser pelo projeto completo, não por hora de trabalho. Até porque a mulher, a dona da casa e vários parentes passam horas batendo papo, tomando café e cervejinhas no fim de semana. A mulher trabalha sem nenhuma pressa.

Por outro lado, já está nisso há pelo menos um mês. Tem que pagar as contas. E esse Audi estacionado é dela, além de outra pick-up bonitona na qual ela traz materiais maiores.

Quanto será que a mulher está ganhando para construir a obra interminável? Aqui em casa, a construção já ganhou o apelido de Sagrada Família, porque não está com cara de que vai acabar tão cedo e é de caráter prático e estético duvidoso. De qualquer forma, todos se divertem. E a mulher dirige um Audi.

Teremos escolhido a profissões erradas?

3 comentários:

Maria Elena disse...

Algum progresso?

Carolina Alfaro de Carvalho disse...

O muro acabou. A casa ficou com uns pedaços faltando tinta, com cara de inacabada, mas parece que vão deixar assim. Eternamente inacabada. Que nem a Sagrada Família.

Carolina Alfaro de Carvalho disse...

O muro acabou. A casa ficou com uns pedaços faltando tinta, com cara de inacabada, mas parece que vão deixar assim. Eternamente inacabada. Que nem a Sagrada Família.