sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Clube só (para?) branco

Alguns clubes de tênis e squash bem tradicionais daqui, bem em estilo britânico de dois séculos atrás -- o tipo de clube que geralmente inclui "Royal" no nome -- só permitem que se usem roupas brancas para praticar os esportes. É uma tradição ridícula e sem sentido, que continua como uma regra absurda hoje em dia, em nome de uma tradição altamente suspeita.

Em Toronto tem de tudo, então tem dessas insanidades também. O pior é que, em inglês, um clube que diz que é um "all-white club" ou "white-only club", na minha cabeça, não parece estar se referindo só às roupas, apesar de ser isso o que se entende. A expressão é ambígua, transmitindo nas entrelinhas a ideia de ser só (para) brancos.

Esta semana fui jogar squash com o nosso time num clube desses, o Royal Canadian Yacht Club. Há muitas quadras de squash e de badminton, e os membros -- desde adolescentes até uns idosos de uns 350 anos de idade que jogam badminton -- só se vestem de branco. Se você não estiver todo vestido de branco, não entra nas quadras.

Fiquei olhando à minha volta. Naturalmente, só havia pessoas brancas também. E não é aquele "mais ou menos branco" que tem no Brasil, é aquele branquelo de cabelo liso e quase sempre loiro. Uma jogadora do nosso time, que é jamaicana e morena, sem dúvida elevou o índice de melanina no clube em uns 300%. E não era pouca gente -- em duas horas, devo ter visto pelo menos umas 50 ou 60 pessoas à minha volta, e estou falando do centro de Toronto, que mistura todas as etnias possíveis e imagináveis.

Eu já estava achando tudo estranho quando reparei num detalhe no vestiário feminino: além das toalhas brancas, do shampoo, sabonete e hidratante oferecidos gratuitamente, havia uma bancada com vários secadores de cabelo -- para quem sai do banho, coisa que outros clubes chiquezinhos também têm -- e, ao lado de cada secador público, havia uma chapinha. Isso mesmo: para cada secador, uma chapinha de cabelo. Havia duas adolescentes, com longos cabelos loiros, fazendo chapinha uma na outra.

Faz sentido, né? Porque vai que o seu cabelo começa a fazer um -- oh! horror! -- um cacho! Ai, meu Deus, cacho não é coisa de ariano! Tem que correr no vestiário e alisar o desgraçado. Imagina só a vergonha se os amigos descobrirem.

Credo.

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