domingo, 1 de novembro de 2009

Nossa família (ir)real

Hehehehe

O Príncipe Charles chega ao Canadá na semana que vem para aquelas visitas protocolares com direito a beijo de criancinha remelenta e buchada de bode.

Ele não vai visitar Manitoba, Alberta, e Saskatchewan - aparentemente ninguém liga a mínima para a família real por lá - e vai passar só uma tarde em Montréal - onde acho que a maioria deve mesmo é desprezá-lo. Também ausentes estão quaisquer referências às nações indígenas, ou a Nunavut, Yukon e os territórios - que ele não deve ter a menor vontade de conhecer, ou nem mesmo sabe que existem.

- Então, Majestade, o Primeiro-Ministro Harper acha que vosso intinerário deve contemplar uma visita aos Inuits. Uma visita pode gerar dividendos políticos para o governo canadense neste momento em que eles estão preocupados com a soberania no Ártico e...
- Inuits? Inuits? É um time de futebol? E o que futebol tem a ver com o Ártico? E que nome é esse?
- Majestade, os Inuits são uma nação indígena que habita o norte do Canadá e...
- Ah! Eles! Não! Não quero comer coração de foca!

Eu não entendo por que o Canadá ainda mantém esses laços políticos dinásticos com a Inglaterra. E eu entendo menos ainda que isso não seja nem discutido por aqui. Nada. Zip. Na Austrália, de tempos em tempos algum membro do parlamento levanta a bola e põe o assunto em discussão. Nunca deu em nada, claro, mas ao menos há debate público em torno do assunto.

Minha posição, pedindo vênia aos monarquistas de plantão eventualmente amigos do blog, pode ser resumida relembrando a famosa discussão no filme do Monty Python sobre o Rei Artur e a busca pelo Santo Gral:

King Arthur: I am your king.
Woman: Well I didn't vote for you.
King Arthur: You don't vote for kings.
Woman: Well how'd you become king then?
[Angelic music plays... ]
King Arthur: The Lady of the Lake, her arm clad in the purest shimmering samite held aloft Excalibur from the bosom of the water, signifying by divine providence that I, Arthur, was to carry Excalibur. THAT is why I am your king.
Dennis: [interrupting] Listen, strange women lyin' in ponds distributin' swords is no basis for a system of government. Supreme executive power derives from a mandate from the masses, not from some farcical aquatic ceremony.

Acho que não preciso dizer mais nada.

2 comentários:

Jorge Luis disse...

Gus, concordo em género e número, além do que cidadãos nem que seja de décima, podemos ser, porem plebeus de monarca nenhum jamais.
Abraço e até breve. Jorge.

Gus disse...

hehehe, Pois é... esse é o espírito - mas acho que também podemos lutar para não sermos cidadãos de décima, principalmente no Brasil.

Grande abraço!