quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Rabisco de parede de banheiro

É o Gus:

mais um post nada a ver.

Me lembro de quando a gente viajava para São Paulo de carro e parava naqueles postos de gasolina na Dutra para ir ao banheiro. Era curioso observar como as paredes estavam sempre rabiscadas. O sujeito devia ficar ali, pensando na vida e esperando algo acontecer, quando batia a inspiração: o poeta popular precisava rabiscar as paredes. Os rabiscos, em geral, eram ou escatológicos (talves pela inspiração de momento) ou estavam relacionados à homossexualidade de alguém, com desenhos, nomes e até números de telefone. Tudo igual, até mesmo as piadas e desenhos eram os mesmos; quase nada mudava de um posto para o outro.

Aqui em Toronto não é muito diferente - sendo que as pessoas rabiscam as paredes dos banheiros dos restaurantes e pubs da cidade (especialmente os mais alternativos e detonados). Novamente, os assuntos são semelhantes. Em Quebec, idem: paramos em um parque para fazer nosso piquenique e o banheiro público de lá tinha as mesmas coisas, inclusive piadas com o número de telefone de alguém...

Claro, essa brincadeira do telefone deve ser meio óbvia de se fazer com o amigo desavisado ou com o cunhado mala. Mas os desenhos, tudo? Deve ser algo na psiquê masculina - vai saber. Ou, ao contrário, é melhor não saber... daí minha surpresa hoje, quando estava em um café no Kensington Market. Lugar muderninho, intelectualóide, com dezenas de variedades de café orgânicos para escolher e muffins vegans (tá, nada contra, mas por ser vegan você precisa cobrar 4 dólares pelo muffin que sofre de raquitismo? Vegans são todos milhonários/as, ou para construir um mundo melhor eles/as topam pagar mais caro pelo muffin raquítico? E se eles ainda tivessem a opção não vegan, mais barata, para os não vegan-e-o-mundo-que-se-exploda-eu-quero-o-McCheddar-no-McDia-Feliz... aliás, o que é um muffin vegan? Como você faz um muffin sem ovo, leite e sabor? Perguntas, perguntas...). Eu devia ter imaginado. O que encontro escrito nas paredes? Nenhuma escatologia, nenhuma insinuação, nenhum número de telefone para sacanear o amigo, nenhum desenho daqueles de deixar o Carlos Zéfiro sem graça: poemas haiku, palavras de ordem para a destruição do capitalismo, nihilismo em estado puro, provas lógicas demonstrando c.q.d que a religião é uma mentira e só existe o nada e o desespero...

Bem, talvez após pagar 4 dólares em um muffin sem gosto e desbotado, do tamanho de um brigadeiro, só nos reste o desespero mesmo. E lá se foi minha teoria sobre a psiquê masculina nos banheiros do mundo...

2 comentários:

Gabrielle disse...

Adorei este post! Soh queria esclarecer que este fenomeno nao se deve somente a psique masculina - os banheiro femininos sao completamente rabiscados tambem. Ja tendo visitado alguns mictorios na minha vida (sabe como eh, a fila pro banheiro feminino eh sempre estupidamente comprida!) posso ateh dizer que as mulheres sao mais malvadas e perversas nos pensamentos escritos. Cada baixaria...

Gus disse...

Oi Gabrielle,

pois é, eu já ouvi histórias. mas você sabe: nunca pude comprovar, até porque há certa desigualdade nessas coisas. Mulher entrando em banheiro masculino é "ousada"; homem entrnado em banheiro feminino "tem que ser preso", hehehehe

Fica a pergunta: os temas são os mesmos? Eu me surpreendi ao perceber que independente do lugar, do país, e da língua, os temas são os mesmos...