sábado, 19 de setembro de 2009

Férias de verão 2009: Prince Edward, Montréal, Québec e Ottawa!

***Atualizado com a inserção de mapinhas para ajudar a visualizar nosso trajeto! É possível dar zoom e arrastar o mapa para ver mais detalhes***

Como havíamos prometido (e estávamos devendo)... aqui vai um post a quatro mãos com nosso relato da viagem que fizemos a Prince Edward County + Kingston, Montréal, Québec + Île d'Orléans, e Ottawa. Maria Elena e Jorge, Carol e Gus. A viagem foi um superhiperpresente dos pais da Carol, começando no sábado, dia 8 de agosto e terminando no domingo, dia 16.


View Larger Map

Saímos de casa no sábado pela manhã cedo e passamos por Prince Edward County. O Rafa e a Erika já tinham visitado essa península sobre o lago Ontário e recomendaram. A paisagem é muito diferente daqui dos arredores de Toronto: muitos lagos, fazendas, vinícolas, trigais, macieiras, milharais, e cottages (as casas de campo do pessoal com dinheiro). Almoçamos em Wellington, que é uma cidadezinha minúscula na beira do lago, e pudemos apreciar de perto a alucinação coletiva dos canadenses com o verão: barcos, canoas e bicicletas por todo lado.

Depois exploramos um pouco mais a península e o que ela oferece: produtos frescos, vinhos e frutas. É interessante como em muitos lugares as fazendas, minúsculas para padrões brasileiros, ficam lado a lado com sítios super exclusivos. Paramos em duas vinícolas, e na Huff States compramos dois vinhos para o futuro piquenique (que acabou sendo deixado para Montréal...). Um detalhe curioso: tudo na região faz referência aos Loyalists - ingleses leais à coroa britânica que imigraram para o Canadá na época da independência dos Estados Unidos, recebendo terras e se comprometendo a ajudar a defender as fronteiras. A estrada que corta a ilha se chama Loyalist Parkway, e Kingston, uma cidade bem maior e à época uma das maiores da região, também tem várias referências a eles....

A principal cidade da península é Picton. Seria um exagero dizer que Picton é uma cidadezinha de uma rua só construída na beira da estrada; ela tem mais de uma rua... talvez umas 4 ou 5. Muito bonitinha. Passeamos, compramos chocolates (bons, muito bons...) e encontramos um velhinho muito simpático que ficou batendo um papo e fazendo perguntas sobre o Brasil e a Argentina... coisa de cidade de interior...

Depois demos uma volta de carro pelo sul da ilha, seguindo através das fazendas, macieiras e trigais. A paisagem ficou ainda mais rural, mas também mais bonita. Entre Waupoos e Glenora paramos em uma queijaria muito boa, chamada Fifth Town, que faz queijos artesanais com leite de cabra. Compramos três queijos (e saímos correndo para não comprar mais nada...) que ficaram para o agora já muito aguardado piquenique. Quase na ponta da ilha pegamos a estrada e cruzamos de volta para o continente em uma balsa, perto de "Lake on the Mountain". Aliás, belo lugar. O lago de águas claras fica dentro da península, acima do nível do lago Ontário. Tiramos algumas fotos bonitas por lá. Depois, seguimos para Kingston, para passar a noite.


View Larger Map

Acordamos em Kingston para o passeio de barco pelas "Thousand Islands" -- meio que no encontro do rio Saint Lawrence com o lago Ontário, um delta grande pontilhado de ilhas. O dia estava feio e chuvoso, e o passeio pelo rio e as ilhas não foi muito bonito. Mas Kinsgton é uma cidade interessante, não muito pequena (em torno de uns cem mil habitantes), e com muita história. Atualmente, vive do turismo, da universidade de Queens, e da Real Academia Militar do Canadá (tá, dá para morar lá, se você quer saber). Almoçamos em um bistrô/padaria muito boa, chamada Pan Chancho, e que havia sido altamente recomendada pelo pessoal da queijaria de Prince Edward. Apesar do nome muito bizarro (Chancho é porco em espanhol), comemos muito bem e aproveitamos para comprar o pão (muito bom, por sinal) para o nosso famoso piquenique...


View Larger Map

De Kingston rumamos para Montréal. Nós já conhecíamos a cidade (recomendamos muito), mas voltamos para que o Jorge e a Maria Elena também conhecessem (e, claro, voltaríamos de novo, outras vezes). Chegamos em Montréal no final do domingo, e ficamos em um hotelzinho muito simpático chamado Hotel LaBelle, que já conhecíamos. Ele é barato, limpo, e tem a grande vantagem de estar perto da muvuca sem estar na muvuca... Aproveitamos o final do dia para dar uma volta pelo Quartier Latin, a Rua St. Denis, e (mais importante) para matar a saudade do café da Brûlerie St-Denis, que tem uma filial na rua do mesmo nome. Ingleses e, por tabela, canadenses, definitivamente não sabem fazer café, mas com franceses e simpatizantes a história é outra. Uma das atrações do café de lá é que ele é torrado e moído no dia na própria loja. Show. Quando voltamos para o hotel, tivemos o nosso famoso piquenique, acrescido de algumas iguarias que havíamos comprado em uma loja de conveniência perto do hotel. A loja foi um espetáculo a parte, já que tinha queijos, frios, patês e frutas de muita qualidade, e bebida alcoólica (em Québec, ao contrário de Ontário, é possível comprar vinhos e cerveja nos supermercados).

Na segunda, o Gus se enrolou por conta de problemas na faculdade (na verdade, problemas de comunicação do professor do curso de verão no qual ele estava trabalhando) e precisou voltar às pressas para Toronto para ajudar na fiscalização da prova final e pegar os exames para corrigir e devolver na sexta. Ele estava soltando fumacinha de tanta raiva... Compramos a passagem e ele foi para Toronto na própria segunda, voltando na terça pela manhã. Enquanto isso, a Carol, o Jorge e a Maria Elena aproveitaram o dia pela cidade velha (Montréal Vieux). Um dos pontos altos do bairro, além da região do porto, é o Museu de Arqueologia da cidade, que foi construído em um lugar onde haviam descoberto as fundações das primeiras edificações e fortificações da cidade. O andar térreo é reservado a exposições temporárias, mas no subsolo o visitante anda pelas ruínas e escavações, o que é muito bacana.

O Gus voltou na terça, com as provas debaixo do braço, e depois do almoço, enquanto corrigia com muito boa vontade o produto intelectual dos aluninhos, o Jorge e a Maria Elena foram passear com a Carol pela cidade, subindo até o Mont Royal. À noite, fomos para um show de luzes e sons (e, para nosso constrangimento, cineminha-B-tipo-discovery-channel) na Catedral de Notre Dame de Montréal, que é belíssima. Abstraindo um pouco dos atores péssimos, a apresentação é muito bem feita e conta toda a história da igreja (misturada com a história da cidade), usando como telões uns panos que inicialmente ocultam as duas laterais e o altar, mas depois vão sendo recolhidos para permitir ver os detalhes da arquitetura da igreja, que é destacada com efeitos de luz.


View Larger Map

Quarta pela manhã nos despedimos de Montréal rumo à cidade de Québec, capital da província. Tínhamos grandes expectativas, todos nos disseram que a cidade era muito bonita e legal. No caminho, demos uma volta em uma ilha do Rio Saint Lawrence perto de Québec, chamada Île d'Orléans. A ilha nos lembrou bastante Prince Edward, só que mais bonita, pitoresca e charmosa. Paramos na vila de Sainte Pétronille e almoçamos no restaurante La Goéliche (por sinal, recomendamos!), e depois circulamos a ilha toda por uma estrada chamada Chemin Royal. Tudo muito bonito, alguns sítios milionários, e fazendas e mais fazendas, principalmente de trigo, maçãs, e batatas. Em Saint-François paramos na praça da igreja, com uma vista muito bonita do rio, e aproveitamos para comprar pão em uma padaria artesanal (estava quase fechando, foi na hora!). Entre Saint-François e Sainte-Familie paramos em uma torre que tinha uma vista panorâmica da ponta da ilha, do rio e das Laurentian Mountains na margem esquerda do rio. Muito bonito. Como já estava ficando tarde, partimos para Québec, parando ainda em Sainte-Familie na beira da estrada para comprar mais queijos artesanais, e finalmente em uma cidreria que nos havia sido recomendada. Abastecidos para um segundo piquenique, fomos para Québec.

Chegamos à noite em Québec, e ficamos em um hotel um pouco afastado do centro. Aproveitamos para fazer o nosso segundo piquenique, também no quarto... no dia seguinte, quinta-feira, pegamos um ônibus que passava na porta do hotel e ia até o centro da cidade. Foi a melhor coisa, apesar de termos de esperar um pouco, porque é muito ruim estacionar na cidade - cheia de ônibus de turismo e com poucas vagas. Passeamos por toda a parte velha da cidade, que é muito bonita, e subimos até o parlamento e a parte nova. Marcamos uma visita guiada ao Château Frontenac (aquele que parece um castelo, bem no meio da cidade) e fomos almoçar no restaurante Aux Anciens Canadiens, muito bom por sinal (apesar de parecer meio pega-turista). Os pratos são de estilo campestre, com coisas típicas da região.

Québec é realmente muito bacana, mas nessa época fica muito cheia de turistas, que como em Montréal chegam em hordas montadas em... ônibus e mais ônibus. Para nossa sorte, em geral esses turistas vêm para passar apenas o dia: são despejados na praça em frente ao Château Frontenac e ficam rodando e tirando fotos apenas na parte central da cidade. Descobrimos umas ruazinhas e praças escondidas onde havia pouca gente, e tentamos evitar passar pelas ruas mais movimentadas. Às 5 horas, quando tínhamos a nossa visita guiada no Château Frontenac, as hordas estavam embarcando nos ônibus para ir embora... após a visita, encerramos as atividades do dia, e pegamos o ônibus de volta ao hotel.

Sexta-feira, mais um dia de andanças pela cidade. Pela manhã, fomos à Cidadela (que ainda funciona como um forte do exército canadense) e fizemos uma visita guiada. Depois, descemos para a parte baixa da cidade (Chemin Champlain e Place Royal), onde estão as casas mais antigas da cidade (algumas ainda do século XVII), e paramos para almoçar em um restaurante muito simpático (e bom) chamado Cochon Dingue (traduzido como "porco doidinho" ou algo assim - mais um porco na nossa viagem, hehe). Aliás, por falar em porco, comemos a especialidade de casa, costeletas de porco com um molho tipo barbecue, muito boas mesmo. Nesse dia, voltamos para o hotel para a nossa última noite... no dia seguinte, saímos cedo para Ottawa.


View Larger Map

Sábado pela manhã fomos a Ottawa. A distância entre Québec e Ottawa é longa, então fizemos uma parada estratégica em Lachutte, uma cidadezinha no meio do caminho) para o piquenique derradeiro. A cidade havia sido invadida por centenas de motos e triciclos, que estavam por toda parte. Achamos um parque simpático à beira de um rio, fizemos nossa última refeição em Québec, e seguimos para Ottawa, a capital do Canadá, por estradas secundárias bem interessantes.

Chegamos à Ottawa na tarde de sábado. Na verdade, o hotel ficava em Gatineau, cidade dormitório na outra margem do Rio, em Québec (Ottawa fica na divisa entre Ontario e Québec; a cidade de Ottawa propriamente dita fica no lado de Ontário, e Gatineau no lado de Québec, e por toda parte se ouve uma mistura singular de inglês e francês). Como não tínhamos muito tempo (voltávamos para Toronto no dia seguinte), aproveitamos o final de tarde para visitar a colina do parlamento e dar uma volta pelo centro da cidade. Após o jantar, voltamos para o hotel. No dia seguinte, domingo pela manhã, o ponto alto da visita: o Museu das Civilizações. Muito bacana mesmo, principalmente a parte dos tótens e diversos povos nativos aqui do Canadá. Legal também foi a exposição sobre a vida no Canadá, na qual eles reproduzem diversos ambientes e expõem objetos históricos desde os primeiros Vikings que chegaram na região da Terra Nova no ano 1000 até os anos 70 e 80, passando pelas diversas levas de imigrantes, o boom das ferrovias, e praticamente toda a história do Canadá europeu. Valeu a pena. Terminada a visita... de volta a Toronto!


View Larger Map

Este é um álbum reduzido, mas com uma boa amostra do que vimos. Para ver as fotos em maior resolução, basta clicar nele e ir par ao álbum no Picasa.



Aliás, tiramos muito poucas fotos de Montréal, pois estivemos lá 4 duas no ano passado. Então, para ver muitas fotos de Montréal, basta folhear nosso álbum anterior.

7 comentários:

Bruno disse...

Muito legal!
Li o relato com o Google Eath aberto, para entender melhor o itinerário.
Inté,
Bruno

carladuc disse...

Nossa, que maximo a viagem! :)

De repente, quando formos vistar vocês (esse ano não deu, mas nós vamos, é sério), podíamos montar um comboio de 6 e viajar por essas bandas. Fiquei com vontade de conhecer Montreal, além de Toronto claro. :)

Sei que conciliar férias de 6 é tarefa quase impossível, mas sonhar não paga certo? :)

Beijos,

Carla

Carol disse...

Bruno,

Vacilo nosso! Já atualizamos com os mapas. Melhor, né?

Carla,

É tudo questão de se programar... Seria do caramba viajarmos juntos. Sem dúvida a gente faria tudo o possível para encaixar. Vale muito a pena!

Má disse...

Uau!!! Esse post está quase profissional!!! O que não dá para descrever, é como a viagem foi linda! Valeu!

carladuc disse...

Acho que podiamos começar a pensar no assunto então! :)

Já empolguei!

Gus disse...

Oba! Temos só que acertar as datas. E, claro, vai ser tão ruim ir novamente a Quebec (suspiro). Mas o que a gente não faz pelos amigos? ;)

carladuc disse...

Gustavo,

Agradeço desde já o sacrifício! :)