domingo, 22 de março de 2009

Grossmans Tavern

Este fim de semana foi o aniversário do Joe, amigo do Gus. Pelo segundo ano consecutivo ele comemorou no Grossmans Tavern, um bar de blues ao vivo.

No ano passado eu confesso que levei um choque tão grande que fiquei com péssima impressão. Imaginava um pub. Cheguei lá com fome, mas não tinha muito mais do que umas batatas fritas borrachentas. O lugar é feinho, não tem nada que se possa classificar como decoração.

Este ano, eu não estava muito animada para voltar lá. Mas antes fomos num pub de verdade comer e conversar com a Erika e o Rafa e mais um casal de brasileiros que se mudou para o prédio deles. Já sem precisar comer nem beber nada, lá fomos nós para o Grossmans.

O lugar é antigo. O que tem lá é cerveja. E blues. Ponto. Em grupos maiores, a turma enche uma jarra de uns 2 litros de chope e vai bebendo. Não existe conta por mesa, você paga na hora que pede. E, como as bandas não cobram couvert, basicamente dá para sentar lá e não gastar nada.

Por falar em chope, no site eles dizem que foram os primeiros a instituir música ao vivo aos domingos, poucos anos após a venda de álcool ser permitida aos domingos. Isso mesmo, amiguinhos: até o fim dos anos 60 não se podia beber no dia sagrado do descanso. Muderno, não?

O público médio não é jovem; da nossa faixa etária para cima. Particularmente, tinha uma mesa com dois casais de velhinhos, um deles com uns 120 anos. Os quatro batendo um jarro de chope.

Quando a banda entrou -- uma banda com quase 40 anos de estrada, fazendo um blues/rock daqueles que não tem como errar, muito gostoso e divertido -- a velhinha mais velhinha, de cabelo branquinho e ralo e a cara com mais rugas do que pele, batucava na mesa, sacudia a cabeça e erguia os braços para aplaudir. Acho que ela era a mãe do cara que inventou o blues.

A tal banda, Gary Kendall Band, batia o maior papo entre as músicas, no melhor estilo canadense. Eles tocaram ali pela primeira vez nos anos 70, perguntaram quem estava indo lá pela primeira vez, etc. Depois, avisaram que tinham CDs para vender. Eu pensei "Bom, banda de 40 anos que ainda toca em bar caído, devem tirar uns trocados vendendo CDs de mão em mão." Mas quando o Rafa foi comprar um, o cara foi lá fora buscar e basicamente ele só tinha dois. Duas unidades.

Em suma: não faço idéia do que esses caras vivem...

Enfim. Para quem quer conhecer as entranhas de Toronto, o que nenhum turista conhece mas do que o povo daqui se orgulha, e para quem quer sentir na pele o significado de "a no-bullshit place", o Grossmans é o lugar. Ah, e aos domingos é permitido beber cerveja.

Um comentário:

Roney Belhassof disse...

Você é perigosa porque escreve muito bem! Pela sua descrição fiquei animadíssimo para conhecer o lugar!

As melhores coisas da Terra são aquelas que são de verdade, que tem a alma da gente local.

O site deles é horrível! Hahaha!

Achei as fotos e não me decepcionei. Vai para a minha lista de lugares a visitar quando passar uns anos perdido pelo mundo!

p.s.: adorei seu comentário lá no Meme!