quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Vida de carteiro canadense

(Esta é em homenagem ao meu querido sogro.)

Sujeito de meia idade, pançudinho, bochechas vermelhas, estaciona o carro -- um desses de médio porte, acho que japonês, sem nenhuma indicação de ser de propriedade dos correios -- rigorosamente do lado da nossa casa. Desce do carro trajando calça azul marinho e camisa azul clara, dá a volta vagarosamente, abre o porta-malas. Retira meia dúzia de envelopes e sai andando pela vizinhança. Cumprimenta todo mundo. A cada vez que cruza com alguém, para e bate um papinho. Anda devagar. Entra em cada portãozinho de cada casa e deixa cartas na caixinha, conferindo muito bem cada envelope. Após cobrir um ou dois quarteirões, volta para o carro. Abre o porta-malas e retira mais meia dúzia de cartas. Sai andando vagarosamente em outra direção.

E por aí vai. São algumas horas, todo santo dia, que o carro fica parado aqui do lado enquanto o pançudinho caminha alguns quarteirões com meia dúzia de envelopes na mão, puxando conversa com o bairro todo.

Fico me perguntando quanto será que ele ganha.

3 comentários:

Anônimo disse...

E se o tal carteiro ganhar bem, digamos quase como um bom advogado no Brasil, você fez uma homenagem ou uma sacanagem com o seu querido sogro?

Carol disse...

Já virou quase lenda, mas o Celso uma vez teve um desses lampejos bucólicos e disse que trocaria a advocacia na cidade grande por viver numa biboquinha no meio do nada e trabalharia como carteiro.

O carteiro aqui da minha vizinhança não parece estar sofrendo nem um pouco, o que confirma essa idéia de vida mansa (que os carteiros de Rio e SP não têm). E ganhando em dólar, e vivendo no primeiro mundo, eu acho bem mais interessante...

Ah, eu nunca sacanearia meu querido sogro aqui. Ele é um amor.

Gus disse...

Bom, taí: o que é melhor, ser carteiro em Cambuquira, Americana ou Toronto? Acho que em termos de trabalho, Cambuquira ainda deve ser mais tranqüilo, hehe.