quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Conheça a vida selvagem canadense

Fim de semana passado fomos para a casa de campo da família do Adam, namorado da Bianca. Os quatro casais de sempre: eu e o Gus, Bianca e Adam, Gina e Bob, Erika e Rafa. Além da Caera e a Rosie, claro.

Fica em uma região pontilhada de lagos aqui em Ontário, a uns 250km para o noroeste de Toronto, num tal de Kennebec Lake.

Ali, ó:


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Foi nossa primeira vez dirigindo pra valer no inverno, com bastante neve. Também foi nossa primeira vez pegando a estrada transcanadense, que, como já diz o nome, corta adivinha que país? Pois é. Até fotografamos a dita cuja, que hoje em dia não é lá essas coisas.

Aliás, tomamos a nossa primeira multa também. O Gus estava seguindo o Bob Ligeirinho e, quando foi ver, tinha uma viatura colada na gente. Encostamos e o vigilante rodoviário veio bater um papinho. Viu nosso endereço e contou que ele morou lá perto e coisa e tal. Bem canadense esse lance de puxar conversa a qualquer hora. A velocidade máxima era 100, a tolerância é de até 120 e estávamos a 135, sendo que acima de 130 o valor duplica. Aí o sujeito veio com um papinho de que era a nossa primeira multa e ele ia ser bacana e registrou que estávamos a 129 km/h. Mas dirijam com cuidado e patati patatá. E não, não pediu uma ajuda para um cafezinho, foi só isso mesmo.

A região é uma graça. A casa fica na beira do lago. Tem um espaço gostoso de bosque, churrasqueira, uma garagem imensa, muito maior do que a casa, para abrigar lanchas e mil coisas.

No sábado ficou fazendo entre -5 e -10ºC durante o dia, mas à noite esfriou bem. No domingo amanhecemos com menos de -20ºC e sensação térmica de -35ºC. Nem as cachorras tinham coragem de passar da porta para ir fazer xixi.

E por falar em xixi... Um dos lances da aventura é que a casa usa a água corrente que puxa do lago e os encanamentos (provisórios) precisam ser retirados no inverno, pois congelam, então a casa fica sem água corrente.

Como tem neve por todos os lados, a parte mais simples consiste em encher panelas de neve e colocá-las para esquentar. Além de umidificar e aquecer mais o ambiente com o vapor, a água é limpa o suficiente para lavar as mãos, lavar pratos e tal.

Mas no o banheiro é preciso de muita água para dar a descarga, então fizemos um furo no lago para chegar à água e levar baldes para cima. Aliás, foram dois furos, pois o primeiro ficou muito raso e o balde não cabia.

A gente vê nos desenhos animados aquele pinguinzinho que chega com a furadeira manual, aquela de rosquinha, faz um furo limpinho no gelo e se senta confortavelmente para pescar. Pois é. Aquilo não é de verdade, sabia?

A verdade consiste em quebrar 30 centímetros de gelo a machadadas. Com o detalhe de que, se você quebrar mais de um lado do que de outro, sem cortar bem todo o gelo em volta, a água vai aflorar ali e o gelo vai continuar preso e você não vai conseguir enfiar o balde nem dar machadadas na água. Foi o que aconteceu no primeiro buraco.

Olha só o trabalho que dá. Eu filmei o trabalho de conclusão do segundo buraco. Detalhe: todo mundo quis brincar de dar machadadas no gelo no começo, mas no fim só restaram os quatro machões, mesmo.

video

Do lado da casa também tem um "banheiro" externo, basicamente uma latrina. Até que razoável para ser latrina, mas enfim. Isso porque no verão tem muita gente para um banheiro só e coisa e tal. E, considerando o trabalho que dá quebrar o gelo e carregar uns baldes imensos e pesados de água até a casa, todos fizeram o possível para usar ao mínimo o banheiro principal. Acho que todos se sentiriam culpados se acabassem com a água... Então todos fizeram sua parte congelando os pertences a -10ºC de vez em quando.

Sério, acho que nunca um grupo de amigos falou tanto em número um e número dois, quem vai, onde vai e o que faz e se foi bom pra você.

As crianças crescidas dos trópicos logo foram apresentadas a dois trenós e fomos deslizar na rua. A coisa começou tranquila até que o Adam começou a sugerir formas mais emocionantes de usar o trenó, como levar duas ou três pessoas, o que significa que alguém vai de pé. Aí começaram os tombos. Tudo muito divertido, capotar na neve e coisa e tal, mas vou te dizer que quatro dias depois eu continuo tomando analgésicos para dores nas costas, e soube que não sou só eu que ficou toda quebrada. Mas foi divertido!

O resto foi muito tempo na sala, em volta da salamandra. Cada casal ficou responsável por uma refeição: nhoque e brownies no almoço, empanadas com torta de legumes e meus muffins malignos de chocolate com mais chocolate no jantar, um café da manhã caprichado no domingo e ainda sobraram pizzas que não demos conta de comer. Ah, e como teríamos que dirigir no domingo, fomos obrigados a beber todo o vinho no sábado mesmo. Parte antes dos tombos de trenó, parte depois, fechando a noite com um delicioso icewine de Vidal do Adam.

Foram muitas risadas, muitos pés em volta do fogo, muitos afagos em cachorras quentinhas, muita comilança e muitos cobertores. Este inverno está superagitado e essa turma é o máximo!

Aqui estão as fotos:

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