domingo, 22 de junho de 2014

Docs for Change

Meu principal cliente aqui de Toronto é a MCIS, uma organização sem fins lucrativos que faz traduções principalmente para outras entidades públicas ou comunitárias. É uma empresa excelente, com gerentes de projeto muito simpáticos, um relacionamento transparente, valores bons. É uma delícia trabalhar para eles, o que já faço há vários anos.

Até o ano passado eu nem sabia dos projetos comunitários deles. Eles investem todo o lucro em atividades educacionais e sociais, e convidam os próprios funcionários e tradutores para serem voluntários.

Foi assim que eu me envolvi no ano passado no livro de receitas "Food for Language", que eu relatei na retrospectiva de fim de ano.

Este ano, a MCIS fez uma parceria com o Instituto de Documentários do Canadá para criar o "Docs for Change", um curso de criação de documentários com objetivos de promover causas comunitárias. A parceria consiste de 25 bolsas oferecidas pelo instituto, com o curso dado na própria MCIS. A bolsa tem valor equivalente a $6.000.

Eu nem tinha ficado sabendo muito disso, mas uma das organizadoras me ligou, dizendo que meu nome tinha vindo à tona várias vezes pela comissão que estava selecionando os candidatos. Parte dos envolvidos tinha participado do "Food for Language", e duas das minhas gerentes de projeto já me conhecem bem e têm interesse em fazer meu curso de legendagem aqui, então imagino que a indicação tenha vindo dessas pessoas. Faltavam apenas horas para acabar o prazo para enviar a submissão, então eu corri e mandei tudo sem mal ter tempo de pensar. Depois fui entrevistada e fui uma das escolhidas.

O projeto consiste de algumas aulas e oficinas -- tudo bem introdutório, sobre estilos de documentário, escolha de temas, criação, técnicas de entrevista, e mais para o final edição de áudio e vídeo. Até o fim do ano, vamos desenvolver pequenos projetos em grupo, que vão resultar em curtas bem simples.

No ano que vem, temos um compromisso, como uma espécie de "retorno" pelas aulas recebidas, que é o de cada um conseguir organizar eventos para exibir os filmes para até 80 pessoas (alcançando 2.000 espectadores no total, somando todos os bolsistas). A ideia é justamente conscientizar a comunidade sobre os temas escolhidos.

Até agora tivemos duas aulas, incluindo a exibição de dois documentários excelentes pelos próprios diretores.

A verdade é que no começo eu fiquei me perguntando um pouco por que fazer um curso de documentários, mas... por que não? Nós adoramos documentários e eu sempre me envolvi muito com produção de filmes, do ponto de vista de quem traduz. Agora, que estou dedicando algumas horas a estas questões, estou me interessando muito pela linguagem de imagens e ritmos e pela relação dos relatores com os sujeitos de cada filme.

Acima de tudo, é uma quebra na minha rotina, mas que também tem muitos pontos de contato com muita coisa que eu já faço ou de que gosto. Além do mais, estou aprofundando o contato com meus clientes e com outros 24 tradutores com histórias semelhantes à minha, todos imigrantes.

Vamos ver o que sai daí até o fim do ano.

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