domingo, 10 de julho de 2011

Ressuscitando o blog... Somos imigrantes!

Aqui é a Carol.

Puxa, este blog passou seis meses encostado. Ainda no inverno, recebemos a visita dos meus pais, e depois trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos... E é claro que sempre acontecia alguma coisa ou tirávamos fotos ou algo assim e dizíamos "temos que blogar", "é, temos", e aí o tempo passava. E quanto mais defasados ficávamos, mais tempo passava. Enfim, passou muito tempo. Então agora vou postar algumas coisas desatualizadas mesmo, mas não faz diferença. Ninguém depende deste blog para receber as últimas notícias.

De marcante mesmo, o que aconteceu foi que recebemos nossos vistos de imigrantes. Foi exatamente dois anos depois do início do processo (lembra?)

Demorou, mas a verdade é que, depois da burocracia inicial (que é chatérrima), até que foi bem tranquilo.

No final teve uma tensãozinha, porque recebemos a carta nos parabenizando e dando 30 dias para mandarmos os passaportes pelo correio para o consulado canadense em Nova York. A condição era que os passaportes tivessem pelo menos um ano de validade. A ideia é que, em tese, você está fora do país e tem um prazo de um ano para passar da fronteira para dentro. Aí eu olhei meu passaporte e, óbvio, tinha tipo uns 8 meses de validade. E o consulado argentino só aceita marcar a renovação quando faltam menos de 6 meses para expirar. Of course.

Lá fui eu para o consulado argentino, pronta para fazer qualquer sacrifício. Mas nem precisou. Bastou pagar uma tal taxa de urgência, tirar a foto bizarra que só uns sete iniciados no mundo todo são capazes de tirar, e por coincidência eles sempre trabalham bem do lado dos consulados argentinos (a foto é quadrada, com fundo azul calcinha - ok, ok, azul bandeira argentina - e com o rosto em três quartos de perfil direito, com um olho mais de frente e outro de lado, o nariz assim de semi-viés, e o lóbulo da orelha *tem* que aparecer na foto senão o cônsul tem siricotico) e voltar lá para registrar umas 127 impressões digitais. Menos de uma semana depois, lá estava meu novo passaporte. Opa, novo nada: era o velho mesmo, com um carimbo que dizia que ele valia mais 5 anos. Whatever.

Pusemos os passaportes no correio. Ô treco tenso. Os caras não podem avisar se chegou lá (porque dá trabalho, sabe? E trabalhar cansa, tadinhos!) e depois põem o seu passaporte com o visto novinho em folha num envelope e mandam por correio comum.

Mas enfim, o envelope chegou com nossos passaportes. Foi bem quando meus pais estavam aqui, em fevereiro. Então aí vem o fim da aventura: você precisa entrar no Canadá. Só que a gente já está no Canadá, sabe? Não. Tem que entrar. E, para entrar, tem que sair.

Então lá fomos nós para Niágara, seguir o rigoroso processo oficial burocrático criado para burlar a burocracia oficial. Meus pais nos deixaram perto do guichê da alfândega, na fronteira com os EUA.

Um frio de rachar. Mas tudo bem, porque o nosso amigão Rafa nos garantiu que não precisávamos cruzar a ponte, bastava passar uma roleta pra lá e pra cá de novo e carimbar o passaporte.



Lá fomos nós, espertinhos, os únicos seres humanos a pé naquela friaca. Cruzamos o guichezinho, passamos a roleta, demos meia-volta e voltamos. Entregamos os passaportes para a mocinha: "Queremos completar nossa imigração." "Tudo bem, mas para isso vocês precisam vir dos EUA." "Tá, mas tipo né, já estamos na fronteira, não serve?" "Não, os EUA ficam lá do outro lado da ponte." "Poxa, mas a gente tem que ir até lá?" (A ponte deve ter uns 500 metros.) "Sim, tem que ir lá e pegar um papel xpto na polícia federal de lá."

Viva. Lá fomos nós, cruzando o Rio, quase por cima das cachoeiras.



Chegamos na guarita americana, os únicos malucos a pé. Tem que fazer um processo que consiste de você fingir que quer entrar no país e ele fingir que não deixa e você fingir que desistiu de entrar. Tudo isso para burlar a regra idiota de que você não pode imigrar já morando no Canadá. Aí você ganha um papel cor de rosa.



E voltamos caminhando pela ponte. Estava ventando bastante e eu me agarrei à mochila. Se ela cair nas cachoeiras, eu vou junto.



Chegamos de volta à mocinha da polícia canadense e aí sim, finalizaram nossos papéis de "landed immigrants". Pousamos. Mesmo tendo chegado a pé. Almoçamos em Niagara-on-the-Lake e voltamos.



É bom ser imigrante. Primeiro, dá um alívio. Podemos ficar aqui, mesmo desempregados e perdidos na vida (viva!) Além disso, algumas coisas são mais práticas e baratas: temos seguro de saúde pública (antes pagávamos o da faculdade) e a matrícula do Gustavo na faculdade é 1/3 do valor de antes.

Para comemorar, eu comprei camisetas especiais para a gente:



Mas o principal é não precisarmos nos preocupar mais com burocracia durante muito tempo!

Um comentário:

Anônimo disse...

Mas valeu e muito, a aventura, a curtição do frio, a travesia da ponte, as vistas "of the falls", e o almoço charmoso em Niagara on the Lake, com visita a casa das geléias e dos chocolates para fetejar. E a volta com vista panorâmica que fizemos enquanto os esperavamos na roda gigante em Niagara heim,? Eu feliz de ver como tudo no fim foi bem. Beijos e abraços. Pá ou Tio Jojoba