domingo, 2 de março de 2008

Desmistificando: shopping center subterrâneo

Todo mundo já ouviu falar, não sei bem onde, que Toronto tem "o maior shopping center subterrâneo do mundo". Quem conta um conto aumenta um ponto, então é comum ouvir também que todas as cidades canadenses têm shopping centers subterrâneos, ou até que são verdadeiras cidades subterrâneas, que dá para viver no Canadá sem sair na superfície e coisas desse tipo.

Não é bem assim.

Acho que essa história da cidade subterrânea é uma mistura de desinformação e empolgação.

O que tem em Toronto é um sistema chamado PATH. No centro comercial e financeiro da cidade (que não é onde nós moramos), as principais estações de metrô, algumas grandes lojas de departamentos, dois ou três shoppings e os grandes edifícios comerciais e bancários são interligados por galerias subterrâneas.

Quer dizer: quem trabalha no centro da cidade pode sair do metrô e entrar no escritório sem passar pela superfície. Também pode sair do trabalho e ir a algum desses shoppings, por exemplo, e de lá para o metrô.

Mas não é um shopping center, nem muito menos uma cidade subterrânea. É apenas um nível de galerias. Ao longo dessas galerias há pequenos serviços, lojinhas de lanches, bancas de revistas, quiosques, etc., assim como tem nos metrôs brasileiros, por exemplo.

Somadas, essas galerias do PATH têm 27 km, e constam no Guinness como "the largest underground shopping complex", que significa "o maior complexo comercial subterrâneo", devido a essas lojinhas e ao fato de interligar vários centros comerciais, que quase sempre têm um andar no nível do subsolo. Acho que é comum as pessoas entenderem "the largest underground shopping complex" como sendo um único centro comercial subterrâneo, o que não é verdade.

Na prática, é difícil não sair na superfície. E convenhamos, tudo o que a cidade tem de melhor está acima da terra. Inclusive o frio. Faz parte, não é o fim do mundo. O PATH é útil para esse pessoal que sei de casa engravatadinho ou as mocinhas que às vezes vemos no metrô, de tailleur, meia de seda e sapato de saltinho -- realmente, complica andar pisando em gelo, neve e as poças d'água que se formam nas ruas de saia justinha e salto.

Mas, para a grande maioria dos mortais, sobretudo os ex-advogados que foram libertos da opressão da gravata e as tradutoras independentes que vivem de calça jeans e botinha com sola de borracha, a vida acontece do lado de cima, mesmo. E é boa demais.

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