domingo, 1 de julho de 2012

A bicicleta, o ônibus e o celular

Outro dia eu estava pedalando até o clube de tênis.

São só alguns quarteirões, mas a rua é basicamente uma descidona até o parque seguida de uma subida que fica cada vez mais íngreme até nivelar de novo.

Lá estava eu descendo pela faixa para bicicletas. Passei a parte mais baixa da rua e comecei a subir. Quando fui mudar a marcha para a mais leve, a corrente não caiu para o aro menor. Minha bicicleta decide fazer isso de vez em quando, mas não sempre: só quando eu preciso muito usar a marcha mais leve porque a subida é íngreme.

Tentei umas três vezes, olhando para a corrente da bicicleta, subindo e descendo a marcha para ver se a corrente ia para o aro certo, pedalando cada vez com mais dificuldade enquanto a subida ia ficando mais difícil.


Nisso, ouço um ruído à minha esquerda. Era um ônibus. Eu estava a poucos metros do ponto, e o ônibus estava tentando se aproximar, só que eu estava na faixa para bicicletas, rente à calçada.


O ônibus se aproximou de mim e deu uma buzinada no meu ouvido. Olhei feio para o motorista. Ele deu mais duas ou três buzinadas e estava se aproximando demais de mim para o meu gosto.


Xinguei mentalmente o motorista, porque poxa, a prioridade é minha e ele que espere três segundos até eu passar do ponto. Não é ele que está pedalando.


Desisti de mudar a marcha, fiquei de pé na bicicleta e pedalei com força para vencer a subida. Finalmente, vi que o ônibus freou e encostou no ponto atrás de mim.


Agora vinha a pior parte da subida, e lá estava eu, pedalando e bufando, na marcha média e debaixo de um solão.


Nisso, vejo que o ônibus se aproxima de novo, para me ultrapassar. Só que não me ultrapassa. Vem devagar, um pouco atrás de mim, dando umas buzinadas. Continuei mandando mentalmente o motorista catar coquinhos.


Ele se aproximou de mim e eu vi que estava com a porta aberta, e o motorista gritando. Pensei: poxa, só faltava essa! O cara agora vai reclamar de alguma coisa? Estou na ciclovia e não fiz nada de errado!


Quando ele finalmente emparelha, eu ouço que o cara vem gritando:


-- O seu celular caiu! Está na rua, perto do último ponto!

Meu celular estava no bolso esquerdo de uma bermuda com bolsos bem fundos. Não faço ideia de como ele saiu, nem como eu não percebi.


Agradeci, fingindo não tomar conhecimento do povo dentro do ônibus olhando para mim, joguei a bicicleta no gramado de uma casa e saí correndo, quase um quarteirão para baixo na rua. Enquanto corria, pensava: para que eu estou correndo atrás do celular? Se ele se espatifou na rua, já era!


Fui chegando e vendo as partes do celular espalhadas pela rua. A tampa da bateria aqui, a bateria ali, a parte principal lá. Não tinham sido atropeladas pelo ônibus nem por outros carros.


Enquanto eu voltava para a bicicleta, montei tudo rapidamente e tentei ligar, mas nada. A tampa da bateria também não encaixava direito. Óbvio. Cheguei na bicicleta e enfiei o celular de novo no bolso, bem lá no fundo.


Levantei a bicicleta do chão, que tinha caído de qualquer jeito no gramado. A corrente tinha entrado no aro certo sozinha. Mas isso só porque o trecho mais íngreme já tinha acabado.


Fui até o clube e, só por desencargo de consciência, desmontei o celular todo e montei de novo, enquanto pensava nas medidas que eu precisaria tomar para conseguir um celular novo a tempo de viajar, dali a menos de uma semana e com um feriadão no meio.

Encaixei tudo, apertei o botão e... plim! Ligou. E está funcionando até hoje.

Como diria Shakespeare, all is well that ends well.

Um comentário:

Turma do Balão disse...

Oi amigos!
Já tem um tempinho que leio o blog de vcs.
Moramos em Mississauga!
Achei o máximo a história do celular...rsrsrsr Que bom que ligou de novo né!
Um grande abraço da Turma do Balão!!